quarta-feira, 25 de maio de 2011

Abre-Alas

A quem quer que seja,

sou.

Praça que da janela assisto
essa de alguns sentimentos,
olhos da alma sentinela.

Remanescente,

perspicácia condescendente
à frieza da era quente
na terra que outra vez se afogará.

Acrônico,

atento moral que busca
em triste ranger de dentes
cruzar a cordilheira do medo.

Descentende,

não tenho sorte em mente
nem busco em algum parente
mas confesso que sou carente

do amor.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Salamanca

eu que apareci em tua vista!

revistei teus armários
e mudei tua vida.

ao ver as tuas facetas
preferi não entrar.

mas me construi em palácios,
de palavras...

eu sozinho, esmureci.

rompi tuas cercas,
as enchi de jardins.

comprei te roseiras,
banhei te em nardo.

enchi as tuas carroças,
e teu céu de estrelas.

me pintei em tua face
e em teu útero.

privei te da morte,
passei então a morrer.

eu que apareci em tua vida!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Acontece

Confundi o céu com o mar
e mergulhei errado.

pato com prato,
pano com plano,
pura com puta.

a tênue linha da vida.

confundi sal com areia,
terrível engano.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nota

Vou deixar os dias escreverem a estória.
Minhas mãos moldam bem o que não destroem,
e a chuva não me impede de sair.

Quando a terra enfim roer tuas unhas,
eu me esquecerei de todos os nossos dias.
Eu estou sentado digerindo a papa da angustia...

Caba o vento, caba chuva.
Abre o sol...

Sobre a vila paira o pasmo,
sobre tudo falo eu.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Infame

são os planos,
os panos que me vestem...

mas eu, não sei, e quero tecer.

e não é por isso que
pára o mundo,

fico nú pra perceber.

são os panos
os planos que eu sei.

sou sempre tardio ao saber...

são tolos os que
se vestem de panos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Teu efeito

se me condenas a liberdade
eu te amo com a força de minh'alma

e doi
voar

o vento que bate em meu peito
parte como uma faca afiada
dessas das melhores

mesmo que eu não te visse novamente
tu viverias em mim
cada suspiro, cada suspiro

e tuas lágrimas, as que eu
enxuguei, ainda molham meu peito

Alívio

Hoje ainda ouvirei teu ruído...
ao fechar meus olhos, você
estará lá, em meu ouvido.

Hoje ainda eu rumino vestigios.