sexta-feira, 17 de junho de 2011

Clarão

Eu quero é falar com olhos,
porque a boca minha confunde.

Já pensei de todo jeito,
E não acho solução...

Vai ver será preciso,
Botar pra fora o coração?

A moda que é eu ganho tempo,
E largo de tanta explicação.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A Toda

Mulher que foi feita de mim,
Deitou se e eternamente dormiu.
Ao som da valsa ao piano,
Da terra ela se despiu.

Senhora e de mãos enrugadas,
Cabocla da terra sertão.
Miúda é de poucas palavras,
Perdeu se em seu coração.

Mulher tu valsa com a vida,
Balança pra lá e pra cá.
És fruto de flor escondida,
Mais bela que tu não há.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Abre-Alas

A quem quer que seja,

sou.

Praça que da janela assisto
essa de alguns sentimentos,
olhos da alma sentinela.

Remanescente,

perspicácia condescendente
à frieza da era quente
na terra que outra vez se afogará.

Acrônico,

atento moral que busca
em triste ranger de dentes
cruzar a cordilheira do medo.

Descentende,

não tenho sorte em mente
nem busco em algum parente
mas confesso que sou carente

do amor.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Salamanca

eu que apareci em tua vista!

revistei teus armários
e mudei tua vida.

ao ver as tuas facetas
preferi não entrar.

mas me construi em palácios,
de palavras...

eu sozinho, esmureci.

rompi tuas cercas,
as enchi de jardins.

comprei te roseiras,
banhei te em nardo.

enchi as tuas carroças,
e teu céu de estrelas.

me pintei em tua face
e em teu útero.

privei te da morte,
passei então a morrer.

eu que apareci em tua vida!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Acontece

Confundi o céu com o mar
e mergulhei errado.

pato com prato,
pano com plano,
pura com puta.

a tênue linha da vida.

confundi sal com areia,
terrível engano.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nota

Vou deixar os dias escreverem a estória.
Minhas mãos moldam bem o que não destroem,
e a chuva não me impede de sair.

Quando a terra enfim roer tuas unhas,
eu me esquecerei de todos os nossos dias.
Eu estou sentado digerindo a papa da angustia...

Caba o vento, caba chuva.
Abre o sol...

Sobre a vila paira o pasmo,
sobre tudo falo eu.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Infame

são os planos,
os panos que me vestem...

mas eu, não sei, e quero tecer.

e não é por isso que
pára o mundo,

fico nú pra perceber.

são os panos
os planos que eu sei.

sou sempre tardio ao saber...

são tolos os que
se vestem de panos.